segunda-feira, 31 de outubro de 2016

FICHAMENTO DO TEXTO - O Homem e o Mundo Natural

Capítulo I – O Predomínio Humano
Autor: Thomas Keith

FICHA DE LEITURA

Capítulo I – O Predomínio Humano
Autor: Thomas Keith

FICHA DE LEITURA
Referência: THOMAS, Keith. O Homem e o mundo natural: mudanças de atitudes em relação às Plantas e os animais (1500-1800). Tradução João Roberto Martins Filho – São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
Objetivos do Autor
O autor invoca para um ponto fundamental da história humana, visando refletir para o contexto do predomínio sobre o mundo natural. 
Conceitos Principais 
Keith Thomas expõe os pressupostos que fundamentaram as percepções, raciocínios e sentimentos dos ingleses no início da época moderna frente aos animais, plantas e paisagem física, chamando a atenção para um ponto fundamental da história humana: o predomínio do homem sobre o mundo natural. 
Estrutura e linha de argumentação do texto
O livro: O Homem e o Mundo Natural. Trata das atitudes dos homens para com os animais e a natureza durante os séculos XVI, XVII e XVIII. O autor expõe os pressupostos que fundamentaram as percepções, raciocínios e sentimentos dos ingleses no início da época moderna frente aos animais, plantas e paisagem física, chamando a atenção para um ponto fundamental da história humana: o predomínio do homem sobre o mundo natural. O livro encontra-se dividido em seis capítulos muito bem escritos, que absorvem o leitor enquanto este é conduzido aos primórdios da preocupação ecológica. O livro inicia abordando a visão antropocêntrica do mundo animal. O boi e o cavalo haviam sido criados para "labutar a nosso serviço", o cão, para "demonstrar lealdade afetuosa", as galinhas, para exibir "perfeita satisfação em um estado de parcial confinamento", o piolho "fornecia poderoso incentivo aos hábitos de higiene". As plantas eram estudadas em função de seus usos humanos. Os animais eram classificados pelos zoólogos, no início da época moderna, conforme sua estrutura anatômica, habitat e modo de reprodução. No entanto, também era considerado a sua utilidade para o homem, bem como o valor alimentício, medicinal e de símbolos morais.
Era fundamental que existisse uma linha divisória nítida entre homens e animais, pois no início do período moderno esta divisão serviria de justificativa para a caça, domesticação, hábito de comer carne, vivissecção e para o extermínio sistemático de animais nocivos ou predadores. Esta divisão entre homens e animais teve consequências importantes para as relações entre os primeiros, e legitimava os maus-tratos àqueles homens que viviam em uma condição tida como animal. Assim, Keith Thomas cita Robert Gray (1609): "A maior parte do globo era possuída e injustamente usurpada por animais selvagens (...) ou por selvagens brutais, que em razão de sua ímpia ignorância e blasfema idolatria, são ainda piores que os animais". As mulheres, "não tinham mais alma que um ganso", os pobres tinham ocupações "bestiais" e "labutavam como cavalos", os escravos eram marcados com ferro quente "como as ovelhas", e um ourives londrino do século XVIII anunciava para a venda "cadeados de prata para pretos ou cachorros".
Conclusões do autor
Nesta obra específica de Keith Thomas é possível notar as características de uma supervalorização do antropocentrismo justificada pela teologia cristã. A natureza é constantemente subjugada à superioridade e a toda e qualquer necessidade humana.
Críticas do autor
O autor demonstra nesse capítulo I a visão intransigentemente agressiva do lugar do homem no mundo natural, esboçada neste capítulo não era de forma alguma representativa de todas as opiniões na Inglaterra do início dos tempos modernos. Nem todas as pessoas achavam que o mundo fora feito exclusivamente para o homem, que a natureza tinha que ser aterrorizada e submetida, que as espécies inferiores não gozavam de nenhum direito ou, ainda, que as diferenças entre homem e animal eram intransponíveis. Ao contrário, a realidade era muito mais complicada que isso. Se olharmos sob a superfície veremos muitos traços de culpa, desconforto e vergonha sobre o tratamento dos animais; e várias das atitudes oficiais até aqui descritas estavam distantes da prática efetiva de muitas pessoas.




Keith Thomas
O PREDOMÍNIO HUMANO
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 (Do livro: O homem e o mundo natural, Keith Thomas, Cia das Letras, 1996, págs. 21 a 60).

Pergunte a qualquer um na massa de gente obscura: qual o propósito da existência das coisas? A resposta geral é que todas as coisas foram criadas para nosso auxílio e uso prático! [...]. Em resumo, todo o cenário magnífico das coisas é diária e confiantemente visto como destinado, em última instância, à conveniência peculiar do gênero humano. Dessa forma, o grosso da espécie humana arrogantemente se eleva acima das inumeráveis existências que o cercam.

I. Fundamentos Teológicos
“Na Inglaterra dos períodos Tudor e Stuart, a visão tradicional era que o mundo fora criado para o bem do homem e as outras espécies deviam se subordinar a seus desejos e necessidades. Tal pressuposto fundamenta as ações dessa ampla maioria de homens que nunca pararam um instante para refletir sobre a questão. Entretanto, os teólogos e intelectuais que sentissem a necessidade de justificá-lo podiam apelar prontamente para os filósofos clássicos e a Bíblia. A natureza não fez nada em vão, disse Aristóteles e tudo teve um propósito {...}”. (p.21).
“{...} Os animais domésticos existiam para labutar, os selvagens para serem caçados. Os estóicos tinham ensinado a mesma coisa: a natureza existia unicamente para servir os interesses humanos {...}”. (p.21).
“{...} Foi nesse espírito que os comentadores Tudor interpretaram o relato bíblico da criação. Se bem que os especialistas modernos localizem relatos conflitantes incorporados na narrativa do Gênesis, os teólogos do início do período moderno, {...}” (p.21). 

“{...} O Jardim do Éden, afirmavam, era um paraíso preparado para o homem, no qual Deu s conferiu a Adão o domínio sobre todas as coisas vivas (Gênesis, 1, 28). No princípio, homem e bestas conviveram pacificamente. Os homens provavelmente não eram carnívoros e os animais eram mansos. Mas com o pecado e a Queda a relação se modificou. Ao rebelar- se contra Deus, o homem perdeu o direito de exercer um domínio fácil e inconteste sobre as outras espécies {...}” (p.21).

 “{...} A terra degenerou. Espinhos e cardos nasceram onde antes existiam apenas frutos e flores (Gênesis, III, 18). O sol o fez- se pedregoso e árido, tornando necessário um trabalho árduo para o seu cultivo. Apareceram pulgas, mosquitos e outras pestes odiosas. Vários animais livraram-se da canga, passando a ser ferozes, guerreando uns com os outros e atacando o homem. Até mesmo os animais domésticos deviam agora ser forçados à submissão {...}”. (p.22).
   
“Então, após o Dilúvio, Deus renovou a autoridade do homem sobre a criação animal: Temam e tremam em vossa presença todos os animais da terra, todas as aves do céu, e tudo o que tem vida e movimento na terra. Em vossas mãos pus todos os peixes do m ar. Sustentai-vos de tudo o que tem vida e movimento (Gênesis, IX, 2- 3)”. (p.22).

“Doravante, os homens seriam carnívoros e os animais poderiam ser abatidos e comidos legitimam ente, guardando-se apenas as restrições de dieta vigentes. Nesta lei do Antigo Testamento o domínio do homem sobre a natureza se fundou {...}” (p.22).

“É difícil, hoje em dia, ter noção do empolgante espírito antropocêntrico com que os pregadores das dinastias Tudor e Stuart interpretavam a história da bíblia. Eles não hesitavam em representar os atributos físicos do mundo como uma resposta direta ao pecado de Adão {...}” (p.23). 

“{...} O predomínio humano tinha, portanto, lugar central no plano divino. O homem era o fim de todas as obras de Deus, declarava Jeremiah Boorroughes, em 1657 “Ele fez os outros para a o homem e o homem para si próprio”, {...}” (p.23).

“{...} Foi tendo em mente as necessidades humanas que Deus criteriosamente projetou e distribuiu os animais. Os camelos {...}” (p.23).

“Todo animal estava, pois, destinado a servir algum propósito humano, se não prático, pelo menos moral ou ético. Os animais selvagens necessariamente eram instrumento da ira divina {...}” (p.24).

“{...} Foi no final do século XVII e início do XVIII que tais debate sobre a perfeição dos desígnios do Criador atingiram suas formas mais engenhosas e extravagante. No século que seguiu à Reforma{....}” (p.25).
“{...} A autoridade humana sobre o mundo animal era, assim virtualmente ilimitada. Ele podia usá-la como lhe aprouvesse, dizia John Day em 1620 ‘ para seu proveito ou prazer” “{...}” (p.26).
“{...} A tradição religiosa dominante não mantinha nenhum vínculo com aquela “veneração” da natureza encontrada em várias religiões do Oriente e que o cientista Robert Boyle corretamente reconhecia como um “obstáculo desencorajador ao império do homem sobre as criaturas inferiores”. {...}” (p.28).              
“Em 1967” o historiador americano Lynn White Jr., descreveu o cristianismo, em sua forma ocidental, coo “a religião mais antropocêntrica que o mundo já viu” e seu breve artigo culpando a Igreja medieval pelos horrores da população moderna tornou-se quase que uma bíblia para os ecologistas de nossos dias “{...}” (p.28).    
II. A SUJEIÇÃO DO MUNDO NATURAL
“Com efeito, “civilização humana” era uma expressão virtualmente sinônima de conquista da natureza”. O Mundo vegetal sempre foi fonte de alimento e de combustível; o acidente, por esta época, caracterizava-se por sua dependência excepcionalmente alta dos recursos naturais, fosse para o trabalho, o alimento, o vestuário ou o transporte. “{...} (p.31)”.
“{...} O ideal de qualquer pessoa era uma dieta rica em carne, pois esta, particularmente a da vaca, constituía, segundo os médicos “de todos os alimentos {...} o mais conveniente à natureza do homem e aquele que produz a nutrição mais abundante para o corpo”; supunha-se que a carne tornava os homens viris e agressivos {...}” (p. 32).
“As plantas eram igualmente maleáveis. Uma ampla gama de plantas de cultivo fora herdada da antiguidade remota, mas o contínuo desenvolvimento e experimentação abriam novas perspectivas {...}” Os estudiosos da agricultura descreviam os grandes melhoramentos alcançados pela “modificação das espécies daqueles vegetais são naturalmente produzidos, suprimindo por completo alguns e difundindo outros em seu lugar {...}” (p.34).
“Hoje, quando o nosso predomínio sobre a natureza parece quase completo, há inúmeros comentadores dispostos a tornarem os olhos com nostalgia para períodos passados, em busca de um equilíbrio mais justo {...}” (p.34). No mesmo espírito, os colonizadores da Virgínia iniciaram a tarefa de converter os índios oferecendo-lhes uma vaca para cada oito lobos que puderam matar, troca esta que na sua concisão, simbolizava muito bem a visão que tinham dos usos a atribuir ao mundo natural “{...}” (P.26).
III. A SINGULARIDADE HUMANA
“Os escrúpulos quanto ao tratamento de outras espécies eram afastados pela convicção de que uma diferença fundamental, em gênero, entre a humanidade e as outras formas de vida. A justificativa para esse crença remontava a antes da Cristandade, chegando até os gregos {...}” (p.37).
“Três outras características humanas recebiam uma certa ênfase. A primeira era a fala, qualidade que John Ray descreveu como “tão peculiar ao homem que nenhum animal jamais poderia consegui-la. {...} (p.38). {...} segunda qualidade distinta era a razão. O homem, como afirmou o bispo Cumberland, “era um animal dotado de inteligência” {...} (p.38).  Essa exclusiva capacidade humana para a livre ação e a responsabilidade moral conduzia a terceira e, na visão dos teólogos, mais decisiva diferença. Não se tratava da razão, qualidade afinal compartilhada, em certa medida, pelas criaturas inferiores, mas da religião. {...} (p.39).
“Tal doutrina antecipava a futura psicologia mecanicista e continha, em germe, o materialismo de Le Mettrie e de outros pensadores no século XVIII. {...}” É possível que hoje essa doutrina pareça contrariar o senso comum. Mas não surpreende que o cartesianismo tivesse seus defensores em sua época. Um tempo acostumado a um grande número de maravilhas mecânicas – relógios de mesa e de bolso, bonecos automáticos e autômatos de todo gênero – estava bastante propenso a acreditar que os animais também eram máquinas, embora feitas por Deus e não pelo homem. (p.40).
“{...} muitos filósofos concordavam em que o corpo tinha movimentos mecânicos e involuntários”. Entretanto, o teólogo Henry More era mais representativo da opinião inglesa quando disse asperamente a descartes, em 1648, que considerava “assassina” a sua doutrina. “{...} Contudo, Descartes apenas conduzia a insistência europeia no abismo entre o homem e os animais até a sua conclusão lógica {...}” (p.42). {...} Na Inglaterra, a doutrina da singularidade humana era defendida de todos os púlpitos. John Evelyn ouviu um sermão, 1659, sobre como o homem era “uma criatura de constituição diversa do restante dos animais, tanto em alma como em corpo” {...}” (p.42).
IV. CONSERVANDO AS FRONTEIRAS
“Obviamente, a maior parte dessas dissertações eruditas passava muito acima da mente das pessoas comuns. Entretanto, consciente ou inconscientemente, a distinção central entre homem e animais fundamenta o comportamento de todos. {...}” (p.43).
“{...} Do mesmo modo que a moral e a religião, a educação erudita, a “civilidade” e o refinamento também tinham como objetivo elevar os homens acima dos animais {...}” (p.44).
“Uma vez que todas as funções físicas tinham associações animais indesejáveis, alguns comentadores consideravam ser a moderação do corpo, ainda mais que a razão, o que distinguia os homens das bestas”. (p.45). {...} Mesmo o fato de fingir ser um animal para fins de ritual ou diversão era inaceitável. William Prynne declarava que era imoral vestir-se como bicho no palco porque isso significava obliterar-se a gloriosa imagem do homem. (p. 26).
V. SERES HUMANOS INFERIORES 
“Ao traçar uma sólida linha divisória entre o homem e os animais, o principal propósito dos pensadores do início do período moderno era justificar a caça, a denominação, o hábito de comer carne, a visissecção (que se torara prática científica corrente, em fins do século XVII) e o extermínio sistemático de animais nocivos ou predadores. Mas essa insistência  tão grande em distinguir o humano do animal também teve consequências importantes para as relações entre os homens. Com efeito,se a essência da humanidade era definida como consistindo em alguma qualidade específica; seguia-se então que qualquer homem que não demonstrasse tal qualidade seria sub-humano ou semi-animal.”(p.49).
 “{...} Uma vez percebidas como bestas, as pessoas eram passíveis de serem tratadas como tais. A ética da dominação humana removia os animais da esfera de preocupação do homem. Mas também legitimava os maus-tratos àqueles que supostamente vivam uma condição animal.” {...} Os historiadores consideram atualmente que a escravidão negra precedeu as afirmações da condição semi-animal dos negros. As teorias mais desenvolvidas de inferioridade racial vieram depois. Entretanto, é difícil crer que o sistema jamais tivesse sido tolerado se aos negros fossem atribuídos traços totalmente humanos. A sua desumanização foi um pré-requisito necessário dos maus-tratos. (p.53).
“{...} A escravidão era atacada porque confundia as categorias de homem e animal, enquanto se denunciava a tirania política com o argumento de que era errado tratar seres humanos como se fossem animais {...}” (p.58). 
“{...} No século XVIII, o grande advogado William Blackstone confirmava que as leis florestais e de caça”fundavam-se todas nas mesmas concepções inaceitáveis de propriedade permanente sobre as criaturas selvagens{...}” (p.59).
“Portanto, a principal discussão no decorrer do período deu-se entre aqueles que sustentavam que toda a humanidade tinha o domínio sobre as criaturas inferiores e os que acreditavam que os direitos do homem sobre as criaturas inferiores deviam ser confinados a um grupo privilegiado. As divergências sobre as leis de caça não levaram a dúvidas sobre o direito humano de caçar as aves e os animais, pois as classes baixas estavam tão comprometidas com as ideia da dominação humana quanto as outras camadas. (p.59).
“Os animais de criação era uma espécie de classe inferior, que asseguravam aos mais humilde proletário do campo que ele não estava na parte mais inferior da  escala social, um consolo que seu sucessor das indústrias iria perder. O boi, como costumavam dizer os gregos era o escravo do pobre; e mesmo o mais mísero latoeiro ambulante tinha um cão em seus calcanhares no qual desferir o pontapé  que indicava sua superioridade. As classes subalternas, refletia Mary Wolllstonecraft em 1792, tiranizavam os animais “para vingar insultos que são obrigadas a suportar” de seus superiores” (p.60).
“Todavia a visão intransigentemente agressiva do lugar do homem no mundo natural, esboçada neste capítulo não era de forma alguma representativa de todas as opiniões na Inglaterra do início dos tempos modernos. Nem todas as pessoas achavam que o mundo fora feito exclusivamente para o homem, que a natureza tinha que ser aterrorizada e submetida, que as espécies inferiores não gozavam de nenhum direito ou, ainda, que as diferenças entre homem e animal eram intransponíveis. Ao contrário, a realidade era muito mais complicada que isso. Se olharmos sob a superfície veremos muitos traços de culpa, desconforto e vergonha sobre o tratamento dos animais; e várias das atitudes oficiais até aqui descritas estavam distantes  da prática efetiva  de muitas pessoas. O restante desse livro tentará  fazer justiça a formas de pensar e agir diversas e mais ambíguas. (p.60).
        
Fonte:celiafavacho@hotmail.com

O DILEMA HUMANO

Keith Thomas

(Capítulo 6º do livro: “O Homem e o Mundo Natural”, Keith Thomas, Companhia de Letras, 1996, págs. 288-258). 

A criação do domínio mental da fantasia encontra um Paralelo Perfeito no estabelecimento de "reservas" ou "parques naturais" em lugares onde as exigências da agricultura, das comuni cações e da indústria ameaçam ocasionar mudanças na face original da terra que logo a tomarão irreconhecível. Uma reserva natural conserva o estado original que em todas as outras partes foi, para nosso pesar, sacrificado à necessidade. Todas as coisas, incluindo o que é inútil e mesmo nocivo, nela podem crescer e proliferar livremente.

Sigmund Freud, Introductory Lectures on Psycho Analysis [Conferências introdutórias sobre a Psicanálise], parte11I1 [Standard Edition of the Complete Psychological Works of Sigmund Freud, tradução de James Strachey et al ii, XVI (1963), (p. 372).

“Todavia, se brandimos a espada do extermínio à medida que avançamos, não temos razão para lamentar o mal cometido, nem para imaginar, com o poeta escocês, que "violamos a união social da natureza" [...]. Devemos apenas refletir que ao obter, assim, a posse da terra por conquista e ao defender nossas aquisições pela força, não exercemos nenhuma prerrogativa exclusiva. Toda espécie que se expandiu de uma área pequena para um espaço mais amplo, precisou, de maneira análoga, marear seu progresso pela diminuição, senão pelo completo extermínio, de alguma outra, assim como necessitou conservar o seu terreno mediante uma luta bem sucedida contra as invasões de outras plantas e animais [...]. As espécies mais insignificantes e diminutas, quer no reino animal, quer no vegetal, também eliminaram milhares, à medi da que se disseminavam por todo o globo, assim como o leão, quando pela primeira vez se espalhou pelas regiões tropicais da África”. (p. 288).

I. CIDADE OU CAMPO

“A primeira grande modificação foi essa que G.M. Trevelyan jamais cessou de lamentar: o cresci mento das cidades e a intensificação do que ele chamava "a rígida distinção entre vida urbana e vida rural". Em 1700, mais de três quartos da população britânica ainda viviam no campo; apenas treze por cento, segundo se estimava, residiam em cidades com mais de 5 mil  pessoas. Por volta de 1800, porém, a proporção urbana elevara-se para 85 por cento, e em 1851 os habitantes das cidades estavam em maioria. Além disso, esses agrupamentos urbanos oito cientistas se diferenciavam do campo com maior nitidez que seus primeiros predecessores modernos. Antes de terminar o século XVIII, era evidente que a Inglaterra se tornara, após a Holanda, o país mais urbanizado da Europa”. (p.288).

“Nos tempos da Renascença, a cidade fora sinônimo de civilidade, o campo de rudeza e rusticidade. Tirar os homens das florestas e encerrá-los num a cidade era o mesmo que civilizá-los. Como dizia um diálogo elisabetano, um fidalgo criado na cidade seria mais "civilizado" do que um educado no campo”. A cidade era o berço do aprendizado, das boas maneiras, do gosto e da sofisticação. Era a arena da satisfação do homem. Adão fora colocado em um jardim, e o Paraíso terrestre associado a flores e fontes. Mas, quando os homens pensavam no paraíso da salvação, geralmente o visualizavam com o um a cidade, a nova Jerusalém. Séculos a fio os muros das cidades simbolizaram tanto a Segurança quanto o empreendimento propriamente humano; enxergá-los tranquilizava o viajante. “Em sua jornada na década de 1530, John Leland tecia muitos comentários sobre os prazeres visuais da paisagem urbana: o lindo mercado” de Leeds; “as bonitas ruas" de Exeter; o esplendor de Bewdley, fulgurando “com o se fosse de ouro" ao nascer do sol; a " beleza" de Birmingham. Rice Merrick, o historiador de Glamorgan na era Tudor, considerava Cardiff "em beleza da por muitas casas amplas e ruas largas", enquanto, na década de 1690, Célia Fiennes automaticamente sentia prazer ao avistar uma "cidade limpa". No século XVIII, eram frequentes as expressões de satisfação com a beleza das praças de Londres e os novos edifícios em Bath ou na Cidade Nova de Edimburgo; e sabem os que, em 1802, Wordsworth achava que a Terra não tinha nada mais belo de se ver do que a cidade  de  Londres  a  dormir, contemplada da ponte de Westminster. (p.290).

“Contudo já bem ante de 1802, tornara-se lugar comum sustentar que o campo era mais bonito que a cidade. “Ninguém” escrevia William Shenstone em 1748, “preferirá a beleza de uma rua à de uma relva ou um bosque; na verdade, os poetas não achariam muito tentador o Elísio, se o  concebesse como uma cidade". Em parte, essa convicção se devia à deterioração do ambiente urbano. Encontram os queixas quanto à qualidade do ar  londrino desde o século XIII. Nos tempos  elisabetanos, o uso crescente do carvão para fins industriais e domésticos criara um sério problema de poluição. A rainha Isabel  deixara sua capital, em 1578, devido aos " odores fétidos"; e durante séculos a primeira vista da capital que tinham os viajantes era o ameaçador  manto de smog.*   Margaret  Cavendish registra a emoção de seu marido, o realista marquês de  New castle,  quando,  retornando  em   1660  de  seu   exílio forçado,  avistou de novo" a fumaça de Londres, que não víamos há tanto tempo". Um poeta de inícios do século XVIII escreveu:

Assim afastado, eu olho a cidade,
Um grupo de edifícios numa nuvem de fumaça.
O carvão queimado em começos do período moderno continha o dobro de enxofre do produto usado hoje em dia; seus efeitos eram proporcionalmente letais. A fumaça escurecia o ar, sujava as roupas, acabava com as cortinas, matava flores e árvores, e corroía a estrutura dos prédios. Nos meados do século XVIII as estátuas londrinas de alguns dos reis Stuart estavam tão negras que pareciam limpadores de chaminés ou africanos em vestes régias. Em 1700, escrevia Timothy Nourse:
Seria interminável avaliar todos os danos que as casas sofriam por sua ação, na mobília, nos utensílios de prata, bronze e estanho, nos objetos de vidro [...]. Uma cama de oitenta ou cem libras, depois de alguns anos, devia ser posta de lado por estar manchada de fumaça {...} A grande quantidade de carroças de pó-de-carvão subindo e descendo a cidade nunca pára de se espalhar, generosamente, a sua preciosa carga nas ruas {...} é por isso que também os rostos dos homens e mulheres, se não se lavarem e pintarem, logo ficam escuros de fuligem. (p.291).
“Igualmente nociva era a poluição pelos gases e detritos gerados com a fermentação da cerveja, a tintura de roupas, a fabricação de goma de tijolos, e todas as outras indústrias instaladas no meio da cidade. Desde o reinado de Ricardo II foram baixadas leis, de maneira intermitente, contra a poluição do Tâmisa, e no começo do século XVII registram-se muitos conflitos a propósito dos efeitos nocivos da indústria urbana”. {...}. (p.292). É notório que a superpopulação tornou Londres insalubre, mas muitas outras cidades estavam em situação quase igual. Em 1608, os visitantes de Sheffiield sabiam que ficariam “meio sufocados com a fumaça da cidade, ao passo que em 1725 um viajante a Newcastle descobriu que “as nuvens de fumaça perpétuas pairando no ar faziam tudo parecer tão negro como em Londres”. Mesmo em Oxford, o ar era tão ruim que um antiquário setecentista considerava que os Mármores de Arundel* tinham “sofrido mais em setenta ou oitenta anos ali que talvez 2 mil anos países onde foram trazidos”. Inevitavelmente, havia mais peste nas cidades que no campo, e um nível mais alto de mortalidade {...} (p.292).

II. LAVOURA OU TERRA INCULTA?
“A segunda indicação de mudanças nas sensibilidades foi uma crescente reação contra o interrupto avanço das fronteiras agrícolas. Isso representava uma notável modificação das atitudes anteriores. Para os propagandistas agrícolas dos séculos XVI e XVII, as charnecas, montanhas e pântanos não lavrados eram o símbolo vivo do que merece ser condenado”. {...} (p.302).
“Através do trabalho e do investimento, pensava Timothy Nourse, o homem podia eliminar o castigo dos abrolhos e das urzes que decorria do Pecado Original, e devolver as charnecas estéreis à sua primitiva fertilidade e beleza”. Em viçosos campos de trigo, prados verdejantes, árvores vergadas ao peso das frutas e “curiosos bosques e alamedas” refletir-se-ia a “Restauração da Natureza” {...} (p.304). {...} Essa paisagem cultivada distinguia-se por suas formas cada vê mais regulares. A aradura sempre trouxera simetrias; e qualquer lavrador quinhentista teria entendido o encantamento de William Cobbett ao ver um sulco de cerca de quarenta metros tão reto como se traçado com um nível. (p.304).
“No decorrer do século XVIII a paixão pelo cenário montanhoso tomou conta do público que gostava de viajar”. Pela década de 1760, não eram poucos os visitantes no Distrito dos Lagos, na Vale do Wye, na Snowdonia e nas Highlands escocesas em busca de efeitos cênicos excitantes. (p.309). {...} Em fins do século XVIII, o apreço pela natureza, e particularmente pela natureza selvagem, se convertera numa espécie de ato religioso. A natureza não era só bela. Era moralmente benéfica. O valor da terra inculta não era apenas negativo; ela não proporcionava apenas um lugar de privacidade, uma oportunidade de autoexame  e de devaneio íntimo (ideia antiga, esta); tinha um papel mais positivo: exercia um salutar poder espiritual sobre o homem.”(p.309).

III. CONQUISTA OU PRESERVAÇÃO? 

“A referência de Mill às flores silvestres leva-nos a outro exemplo da mudança de sensibilidade que revalorizou o mundo da natureza”. Os jardinistas sempre fizeram uma clara distinção entre os exemplares cultivados, que eles apreciavam, e as flores “silvestres”, as quais desprezavam. O herbanário John Parkinson, Por exemplo, ensinava em 1629 que a escabiosa não era uma flor “de beleza e respeito” e devia, portanto, ser largada nos campos. {...} (p.319).
“{...} Mais notável que a conservação de animais para a caça foram os primeiros indícios de concepção de que as criaturas selvagens devem ser preservadas ainda que não tenham nenhuma utilidade.(p.327). {...} os animais exóticos foram estimados, como um presente digno de ser trocado entre governantes e reis. Desde o século XII, os reis da Inglaterra colecionaram leões, leopardos e outros animais ferozes; a caça de animais* na Torre durou até 1834.{...} (p.239). A ideia do equilíbrio da natureza teve, portanto, base teológica, antes de ganhar fundamento científico. (p. 329). “Desse modo, uma combinação de teologia e utilidade fundamentou a convicção, cada ez mais difusa, de que as criaturas selvagens deviam, dentro de certos limites, ser conservadas”.{...} (p.330).

IV. MORTE OU MERCÊ?

“Não apenas as sensibilidades estéticas forma agredidas pela conquista humana da natureza. Também surgiram objeções morais particularmente a subjugação dos bichos”. A medida que diminuía a ameaça representada pelos animais selvagens, o direito do homem a eliminar criaturas selvagens das quais nada tinha a temer era cada vez mais questionado sempre fizera parte do ideal milenarista cristão, a crença em que os animai selvagens um dia perderiam a ferocidade e tornariam a viver, como no Éden, em paz com o homem”.(p.341).{...} Todavia, a domesticação de animais is ainda mais fundo. Com efeito, uma vez aceito que os animais deveriam ser tratados com gentileza, era inevitável que aumentasse a repulsa a matá-los para comer. A tradição de que o homem originalmente vegetariano era antiga e universal. Talvez ela reflita a prática eletiva dos nossos ancestrais remotos, pois os macacos são basicamente vegetarianos e foi provavelmente com o aparecimento de uma economia caçadora que ocorreu a mudança para a alimentação carnívora. {...} (p.342). “De início, o vegetarianismo ganhou apenas uns poucos adeptos temporários, tal como James Boswell, convertido quando tinha dezesseis anos pelos pitagórico escocês, John Williamson de Moffat, ou o futuro lord Chesterfield, que, fazendo a faculdade em Trinity Hall em 1714, renunciou à carne durante algum tempo, muito impressionado com a oração de Pitágoras que leu nas Metamorfoses de Ovídio. (p.350).
“Por volta do final do século XVIII, o argumento de que os animais forma feitos somente para o uso do homem ainda era formulado, mas já não conseguia assentimento geral. Muito em breve, ele desaparecia quase que por completo” {...} (p.353). 
“Tudo o que restava era a visão hobbesiana, justificando que a espécie humana fizesse todo o necessário à sua sobrevivência”. Os direitos que os seres brutos tinham sobre nós, declarava Espinhosa, nós tínhamos  sobre eles. A objeção ao abate de animais “baseava-se em superstição vazia e em feminina brandura, e não na justa razão”. “A civilização seria impossível se a humanidade agisse com justiça frente à natureza; o homem não podia sobreviver sem ser um predador” (p.354). “O realismo brutal dessa visão chocava-se agudamente com os princípios de benevolência e boa índole ao qual era agora hábito fazer protestos de louvor”. Como escreveu um contemporâneo sobre Joseph Ritson, “seguir o seu plano de abstinência  era absurdo”. De qualquer modo, o homem era uma espécie superior e seus interesses deviam vir em primeiro lugar. (p.354).
“Entretanto, eles mostravam desprezo pelo sentimentalismo dos que aceitavam comer, mas não matar, particularmente quando conheciam o animal em questão”. Conforme observava Mandeville em 1714, agra havia muitos comedores de carne que se mostrariam relutantes em torcer o pescoço de uma galinha. Quando o segundo duque de Montagu conversava com um visitante em Boughton, passou correndo um rebanho de ovelhas. {...} (p.354). “{...} O Dr. Johnson, que tinha”uma espécie de horror às matanças”, dizia “recear que houvesse matadouros em mais ruas de Londres do que supomos”. Já na Inglaterra elisabetana havia pessoas “sensíveis” demais para poderem ver animais sendo abatidos. (p.355).

V. CONCLUSÃO

{...} O constrangimento diante da alimentação carnívora fornece assim, um exemplo da maneira pela, qual, em fins do século XVIII, um número crescente de pessoas chegou a considerar o predomínio do homem sobre a natureza como um dado cada vez mais oposto ás suas sensibilidades morais e estéticas. Tal era o dilema humano: Como reconciliar as exigências físicas da civilização com os novos sentimentos e valores que essa mesma civilização tinha engendrado. Diz-se, com demasia frequência, que as sensibilidades e a moral são mera ideologia: uma racionalização conveniente do mundo tal como ele é. Mas, no início do período moderno, a verdade era quase o oposto, pois, por uma lógica inexorável, emergiram aos poucos as atitudes face ao mundo natural essencialmente incompatíveis, com a direção em que se movia a sociedade inglesa. O crescimento das cidades conduziu a um novo anseio pelo campo. O progresso da lavoura fomentou um gosto por ervas daninhas montanhas e natureza não dominada. “{...} Doravante, uma visão cada vez mais sentimental dos animais enquanto bichos de estimação e objetos de contemplação iria acomodar-se mal com a sombria realidade de um mundo no qual a elimina ação das “pestes” e a criação” de animais para abate ia-se tornando cada dia mais eficiente”. (p. 356). 
“Por volta de 1800, o confiante antropocentrismo da Inglaterra Tudor tinha dado lugar a um estado de espírito muito mais confuso”. O mundo não podia mais ser visto como feito somente para o homem, e as rígidas barreiras entre a humanidade e outras formas de vida haviam sido bastante afrouxadas. {...} Mas, em forma secularizada, esse tipo de panteísmo iria generalizar-se durante o século XVIII, ao se insistir em que todos os elementos da criação têm direito à vida; e a que a própria natureza tem valor espiritual intrínseco. Nem todos acreditavam, agora que a espécie humana é a única sagrada. Alguns românticos preferiam a visão mística condenada de que “toda erva daninha é santa e cada arbusto é divino”. Conforme a expressão de William Blake. “Tudo o que vive é sagrado”. (p. 357). “{...} Assim, o começo do período moderno gerou sentimentos que tornaria cada vez mais difícil os homens manterem os métodos implacáveis que garantiram a dominação de sua espécie”. Por um lado, eles viram um aumento incalculável de conforto, bem-estar e felicidade materiais dos seres humanos; por outro lado, davam-se conta de uma impiedosa exploração de outras formas de vida animada. Havia, dessa maneira, um conflito crescente entre as novas sensibilidades e os fundamentos materiais da sociedade humana. “Uma combinação de compromisso e ocultamento impediram, até agora que tal conflito fosse plenamente resolvido”. È possível afirmar ser essa uma das contradições sobre as quais assenta a civilização moderna. Sobre as suas consequências finais, tudo o que podemos é especular. (p. 358).

Fonte:celiafavacho@hotmail.com

O Homem e o Mundo Natural

Capítulo VI – O Dilema Humano 

Autor: Thomas Keith

FICHA DE LEITURA

Referência: THOMAS, Keith. O Homem e o mundo natural: mudanças de atitudes em relação às Plantas e os animais (1500-1800). Tradução João Roberto Martins Filho – São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
Objetivos do Autor
O autor invoca para um ponto fundamental da história humana, visando refletir para o contexto do predomínio sobre o mundo natural. 
Conceitos Principais 
Keith Thomas expõe os pressupostos que fundamentaram as percepções, raciocínios e sentimentos dos ingleses no início da época moderna frente aos animais, plantas e paisagem física, chamando a atenção para um ponto fundamental da história humana: o predomínio do homem sobre o mundo natural. 
Estrutura e linha de argumentação do texto 
O livro: O Homem e o Mundo Natural. Trata das atitudes dos homens para com os animais e a natureza durante os séculos XVI, XVII e XVIII. O autor expõe os pressupostos que fundamentaram as percepções, raciocínios e sentimentos dos ingleses no início da época moderna frente aos animais, plantas e paisagem física, chamando a atenção para um ponto fundamental da história humana: o predomínio do homem sobre o mundo natural. O livro encontra-se dividido em seis capítulos muito bem escritos, que absorvem o leitor enquanto este é conduzido aos primórdios da preocupação ecológica. O livro inicia abordando a visão antropocêntrica do mundo animal. O boi e o cavalo haviam sido criados para "labutar a nosso serviço", o cão, para "demonstrar lealdade afetuosa", as galinhas, para exibir "perfeita satisfação em um estado de parcial confinamento", o piolho "fornecia poderoso incentivo aos hábitos de higiene". As plantas eram estudadas em função de seus usos humanos. Os animais eram classificados pelos zoólogos, no início da época moderna, conforme sua estrutura anatômica, habitat e modo de reprodução. No entanto, também era considerado a sua utilidade para o homem, bem como o valor alimentício, medicinal e de símbolos morais.
Era fundamental que existisse uma linha divisória nítida entre homens e animais, pois no início do período moderno esta divisão serviria de justificativa para a caça, domesticação, hábito de comer carne, vivissecção e para o extermínio sistemático de animais nocivos ou predadores. Esta divisão entre homens e animais teve consequências importantes para as relações entre os primeiros, e legitimava os maus-tratos àqueles homens que viviam em uma condição tida como animal. Assim, Keith Thomas cita Robert Gray (1609): "A maior parte do globo era possuída e injustamente usurpada por animais selvagens (...) ou por selvagens brutais, que em razão de sua ímpia ignorância e blasfema idolatria, são ainda piores que os animais". As mulheres, "não tinham mais alma que um ganso", os pobres tinham ocupações "bestiais" e "labutavam como cavalos", os escravos eram marcados com ferro quente "como as ovelhas", e um ourives londrino do século XVIII anunciava para a venda "cadeados de prata para pretos ou cachorros".
Conclusões do autor
Nesta obra específica de Keith Thomas é possível notar as características de uma supervalorização do antropocentrismo justificada pela teologia cristã. A natureza é constantemente subjugada à superioridade e a toda e qualquer necessidade humana.
Críticas do autor
O autor demonstra nesse capítulo VI a visão intransigentemente agressiva do lugar do homem no mundo natural, esboçada neste capítulo não era de forma alguma representativa de todas as opiniões na Inglaterra do início dos tempos modernos. Nem todas as pessoas achavam que o mundo fora feito exclusivamente para o homem, que a natureza tinha que ser aterrorizada e submetida, que as espécies inferiores não gozavam de nenhum direito ou, ainda, que as diferenças entre homem e animal eram intransponíveis. Ao contrário, a realidade era muito mais complicada que isso. Se olharmos sob a superfície veremos muitos traços de culpa, desconforto e vergonha sobre o tratamento dos animais; e várias das atitudes oficiais até aqui descritas estavam distantes da prática efetiva de muitas pessoas.


A CARTA DE BELGRADO

1. INTRODUÇÃO

Neste trabalho teremos como objetivo de apresentar tópicos do surgimento da Carta de Belgrado, descreveremos qual a sua finalidade, seus objetivos e alguns trechos desta carta que é de grande importância para o alcance da sensibilidade da humanidade, em relação a educação ambiental e importante para uma sustentabilidade equitativa é um processo de aprendizagem permanente, baseado no respeito a todas as formas de vida.
Tal educação afirma valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e para a preservação ecológica. Ela estimula a formação de sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam entre si relação de interdependência e diversidade. Isto requer responsabilidade individual e coletiva em nível local, nacional e planetário.

2. DESENVOLVIMENTO

A Carta de Belgrado, Iugoslávia, surgiu no Encontro em Belgrado, de 13 a 22 de Outubro de 1975, onde foram formulados os princípios e traçadas as linhas diretrizes da Educação Ambiental, em todo o mundo. O texto foi adaptado, por unanimidade, no “Colóquio sobre Educação Ambiental", organizado pela UNESCO. 
Ali foram formulados os princípios e as orientações para o Programa Internacional de Educação Ambiental – PIEA.

2.1. A Finalidade da Carta

Ao final do encontro foi elaborada a Carta de Belgrado, que deveria se constituir num dos documentos mais lúcidos e importantes sobre a questão ambiental na época.
Questões que deveriam ser lançadas como fundações iniciais para um programa mundial de Educação Ambiental que possibilitasse possível tornar o desenvolvimento de novos conceitos e habilidades, valores e atitudes, visando a melhoria da qualidade ambiental, e a efetividade na elevação da qualidade de vida para as gerações presentes e futuras, etc. 

         A meta principal da Carta de Belgrado se constituía em:
“Desenvolver um cidadão consciente do ambiente total, preocupado com os problemas associados a esse ambiente e que tenha o conhecimento, as atitudes, motivações, envolvimento e habilidades para trabalhar individual e coletivamente em busca de soluções para resolver os problemas atuais e prevenir os futuros”.

2. 2. Os Objetivos Fundamentais
Entre outros objetivos citados os citados abaixo:
A. É o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania;

B. 2. O fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade como fundamentos para o futuro da humanidade.

3. TRECHOS DA CARTA DE BELGRADO

A reforma dos processos e sistemas educacionais é central para a constatação dessa nova ética de desenvolvimento e ordem econômica mundial.
Governantes e planejadores podem ordenar mudanças e novas abordagens de desenvolvimento que possam melhorar as condições do mundo, mas tudo isto não se constituirá em soluções de curto prazo, se a juventude não receber um novo tipo de educação.
Um novo tipo de educação que exigirá o estabelecimento de relações novas e criativas entre alunos e professores, entre as escolas e a comunidade, e entre o sistema de educação e a sociedade no seu conjunto. 

CONCLUSÃO
A questão ambiental ganha espaço frente às preocupações mundiais em relação ao futuro e a sobrevivência da humanidade. Há necessidade de uma intensa reflexão sobre o ambiente, o espaço urbano e sua ocupação. Para tanto, segundo Carvalho (2002:30) é imprescindível, que a Educação Ambiental venha a ser implementada através de pedagogias específicas de acordo com a localidade e os diferentes fatores relacionados à mesma (climatológicos, biológicos, socioculturais e etc), de modo a não vir a se tornar apenas um conjunto de conhecimentos fúteis que com certeza serão ignorados pela comunidade.

REFLEXÃO                         
“Ensinar não é transferir conhecimento, mas as possibilidades para a sua produção ou a sua construção {...} É preciso que, pelo contrário, desde o começo do processo, vá ficando cada vez mais claro que, embora diferente entre si, quem forma e reforma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado {...}. Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. (FREIRE, 1998; GADOTTI, 2000:45).

REFERÊNCIAS

CARVALHO, V. S. educação ambiental e desenvolvimento comunitário.  Rio de Janeiro: Wak, 2002. 

DIAS, G. F. educação ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 2000. (Acesso em: 31.08.14 as 13: 55)
FREIRE, P. educação como prática da liberdade. 19. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.  (Acesso em: 31.08.14 as 14: 23)
GADOTTI, M. Pedagogia da Terra. São Paulo: Petrópolis, 2000.  (Acesso em: 31.08.14 as 14: 25)
http://www.meioambiente.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=71.  (Acesso em 27.08.14 AS 14: 06) 
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/CBelgrado.pdf   (Acesso em 27.08.14 AS 14: 06) 
http://www.fzb.rs.gov.br/upload/20130508155641carta_de_belgrado.pdf (Acesso em 27.08.14 AS 14: 06) 
http://www.esac.pt/abelho/EdAmbiental/carta_de_Belgrado.pdf   (Acesso em: 30.08.14 as 11: 53)

CONDIÇÕES AMBIENTAIS

RETIRADO DO 2º CAPÍTULO DO LIVRO/BEGON – ECOLOGIA: DE INDIVÍDUOS A ECOSSISTEMAS

Segundo o autor em seu resumo deste capítulo 2º, relata que uma Condição é um fator ambiental abiótico que influencia o funcionamento dos organismos vivos. Em geral, podemos reconhecer um nível ótimo, no qual um organismo exibe o melhor desempenho. Basicamente, deveríamos definir “melhor desempenho” do ponto de vista evolutivo, mas, na prática, em geral medimos o efeito das condições sobre algumas propriedades-chave, como a atividade de uma enzima ou a taxa de reprodução.

O nicho ecológico não é um local de um organismo, mas um resumo de suas tolerâncias a condições e exigências de recursos. O conceito moderno – hipervolume n-dimensional, segundo Hutchinson – também distingue nichos fundamental e realizado.
A temperatura é discutida em detalhe como uma condição típica e talvez, a mais importante. Nos extremos superiores e inferiores de temperatura, os organismos acusam prejuízos de funcionamento e, por fim, morrem. Entre os extremos, onde existe um ótimo, eles respondem com uma amplitude funcional, embora essas respostas possam estar sujeitas à adaptação evolutiva e à aclimatização mais imediata.

As taxas de processos biológicos enzimáticos muitas vezes crescem exponencialmente com a temperatura (com frequência, Q10 ~ 2 ), mas para taxas de crescimento e desenvolvimento muitas vezes existem apenas  leves desvios da linearidade: a base para o conceito grau – dia. Uma vez que o desenvolvimento em geral aumenta mais rapidamente com a temperatura do que o crescimento, o tamanho final tende a decrescer com a elevação da temperatura. As tentativas para descobrir regras universais de dependência da temperatura permanecem um tema de controvérsia.
O autor explica as diferenças e as semelhanças entre organismos endotérmicos e ectotérmicos em especial quanto às suas respostas a uma faixa de temperaturas.

Examina as variações sobre a superfície da Terra e no interior dela, com uma diversidade de causas: efeitos latitudinais, altitudinais, continentais, sazonais, diários e microclimáticos, bem como os efeitos da profundidade no solo e na água. Cada vez mais, tem-se tornado aparente a importância de padrões temporais de médio prazo. Entre esses, são dignos de nota a El Niño – Southern Oscillation (ENSO) e a North Atlantic Oscillation (NÃO).

Segundo BEGON, existem muitos exemplos de distribuições de plantas e animais que estão correlacionados de forma significativa com alguns aspectos da temperatura, mas que não provam que a temperatura determina diretamente os limites de distribuição de uma espécie. As temperaturas medidas raramente são aquelas que os organismos experimentam. Para muitas espécies, as distribuições são atribuídas menos às temperaturas médias do que aos extremos ocasionais; e os efeitos da temperatura podem ser determinados amplamente pelas respostas de outros membros da comunidade ou por interações com outras condições.
Muitas outras condições ambientais também são distribuídas: o pH do solo e da água, a salinidade, as condições no limite entre o mar e o continente e as forças físicas de ventos, de ondas e de correntes. São feitas distinções entre riscos, desastres e catástrofes.


Muitas condições ambientais estão se tornando gradativamente importantes, devido à acumulação de subprodutos tóxicos de atividades humanas. Um exemplo significativo é a criação de “chuva ácida”. Outro exemplo é a influência de gases industriais sobre o efeito estufa e os efeitos consequentes sobre o aquecimento global. Uma elevação projetada de 3 a 4º C para os próximos 100 anos parece ser um valor razoável como ponto de partida para projeções de efeitos ecológicos, embora o aquecimento global não seja uniformemente distribuído sobre a superfície da Terra. Essa taxa é 50 a 100 vezes mais rápida do que o aquecimento pós – glacial. Devemos esperar mudanças latitudinais e altitudinais nas distribuições de espécies e extinções de floras e faunas. 

PESQUISA SOBRE SENSORIAMENTO REMOTO DO SATÉLITE ALOS

1. APRESENTAÇÃO

Desenvolveremos neste trabalho as características que descrevem sobre ALOS (ADVANCED LAND OBSERVING SATELLITE), que foi o tema escolhido em sala de aula através do sorteio para os trabalhos em grupos.
O satélite ALOS (Advanced Land Observing Satellite) foi lançado em 24 de janeiro de 2006 pela Japan Aerospace Exploration Agency – JAXA, no centro espacial de Tanegashima (Japão) e entrou na fase operacional de fornecimento de dados ao público em 24 de outubro de 2006. O programa japonês de observação da Terra consiste de duas séries: a de satélites utilizados principalmente para observação atmosférica e marinha, e a de satélites utilizados principalmente para observação terrestre. O ALOS apresenta avançada tecnologia de observação terrestre, sendo utilizado para cartografia, monitoramento de desastres e levantamento de recursos naturais.

O satélite deriva-se da tecnologia desenvolvida por seus antecessores, os satélites japoneses ADEOS e JERS-1. A ele foi incorporada características necessárias aos satélites modernos de alta resolução: a grande velocidade e capacidade de tratamento dos dados e a precisão avançada na determinação de seu posicionamento espacial, já que possui sistema de controle de órbita e altitude baseado em GPS de dupla freqüência.
Seu posicionamento espacial, já que possui sistema de controle de órbita e altitude baseado em GPS de dupla frequência.

ALOS 
Informações de lançamento
Data: 24/01/2006
Órbita
Sol-síncrona e circular
Altitude
691,65 Km
Duração de orbita
98,7 minutos
Inclinação
98,16°
Horário de passagem
10h30min a.m
Período de revisita
46 dias
Sensores
PRISM, AVNIR-2 E PALSAR
Tabela 1. Fonte: http://www.globalgeo.com.br

2. OBJETIVO
A missão do Advanced Land Observing Satellite (ALOS) tem diversos objetivos como dar suporte ao melhoramento da cartografia, em especial na região da Ásia-Pacífico; reunir observações ambientais para suporte aos esforços de desenvolvimento sustentável; pesquisar recursos naturais; desenvolver tecnologias para futuras missões de observação da Terra; e monitorizar desastres que ocorram em todo o planeta.

O Monte Fuji, a maior montanha do Japão (3.776 metros),  é o primeiro dado obtido pelo satélite japonês  ALOS (Advanced Land Observing Satellite), lançado para o Espaço a 24 de Janeiro pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão JAXA. O Monte Fuji é um vulcão adormecido desde a sua última erupção em 1707. Situa-se perto da costa do Pacífico e a 100 km a Este de Tóquio.

Esta imagem foi obtida como parte de um teste inicial de verificação de funcionamento realizado desde lançamento.  Um dos três instrumentos de bordo do satélite de observação da Terra nipônico, o “Panchromatic Remote-sensing Instrument for Stereo Mapping” (PRISM) observed the mountain at 02: 00 CET a 14 de Fevereiro de 2006.

2.1. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO SATÉLITE ALOS


Código Internacional de Designação
2006-002-A
Data do Lançamento
10: 33 – 24 de Janeiro de 2006 (JST)
Veículo de Lançamento
No. 8 H-IIA Launch Vericle
Localização
Tangenashima Space Center
Forma 
Forma de caixa com uma pá de painéis solares, em fases L-band tipo array radar de abertura sintética (PALSAR), e dada de relé satélite de comunicação antena corpo principal:
Cerca de 6. 2 mx 3.5m x4.0 m Solar Array Paddle: Aprox. 3.1mx22.2m. PALSAR Antena: Aprox. 8.9mx 3.1m.
Peso 
Aproximadamente 4.000 kg.
Orbiter 
Sun-Synchronous Subrecurrent/recorrente Perid: Aproximadamente 46 dias.
Altitude 
Aproximadamente 700 km.
Inclinação
Aproximadamente 98 graus.
Período 
Aproximadamente 99 minutos.
Controle de atitude
Três eixos de estabilização (alta precisão de atitude, controle, determinação de órbita função).
Tabela. 2.

3. OS SENSORES DO SATÉLITE ALOS
O ALOS possui três instrumentos de sensoriamento remoto:

3.1. O SENSOR PRISM
O PRISM (Panchromatic Remote-sensing Instrument for Stereo Mapping) é um sensor óptico com três sistemas ópticos independentes para adquirir em simultâneo dados do terreno e da altitude, o que permite a obtenção de imagens tridimensionais com alta precisão.
O sensor PRISM gera imagens pancromáticas com 2,5 metros de resolução espacial e faixa coberta (swath) de 35 ou 70 km, dependendo do modo de operação, com resolução radiométrica de oito (08) bits. Este sensor possui capacidade estereoscópica.

3.2. O SENSOR AVNIR-2
O AVNIR-2 (Advanced Visible and Near Infrared Radiometer type 2)  é um instrumento de radar por microondas que permite adquirir imagens em quaisquer condições atmosférica para cobertura  terrestre  precisa. 

3.3. O SENSOR PALSAR
O PALSAR (Phased Array type L-band Synthetic Aperture Radar) desenhado para cartografar a cobertura terrestre e a vegetação, quer de um modo visível, quer aproximado da visão por infravermelhos capaz de obter imagens diurnas e noturnas sem a interferência de nebulosidade.

O PALSAR é um sensor SAR (Synthetic Aperture Radar), foi desenvolvido por um projeto conjunto entre a JAXA e o JAROS (Japan Resources Observation System Organization), operando na banda L. Dependendo do modo de operação utilizado, a resolução espacial das imagens varia entre 10 e 100 metros e a faixa de cobertura entre 20 e 350 quilômetros de largura capaz de imagear largas faixas de observação que variam de 205 a 350 km (dependendo do número de varreduras, ao custo de uma menor resolução espacial).

O PALSAR pode operar em diferentes modos de polarização: apenas HH, com duas polarizações (HH e HV) ou ainda com as quatro polarizações simultaneamente, HH, HV, VH e VV. As imagens de RADAR são especialmente úteis em regiões que estão constantemente cobertas por nuvens, uma vez que este tipo de sensor é capaz de imagear a superfície independentemente da presença de nuvens.

As características do imageamento do sensor PALSAR
Obs.: O PALSAR não consegue imagear áreas além das latitudes 87.8º N e 75.9º S quando o ângulo off-nadir for 41.5º.
*1. O tempo de operação é limitado durante o consumo de energia.
*2. Válido para ângulos de 34.3º off-nadir no modo Fine, 34.1º no modo ScanSAR e 21.5º no modo Polarimétrico.
*3. O nível S/A poderá ser deteriorado devido a alterações de engenharia no PALSAR.

4. AS DISTORÇÕES GEOMÉTRICAS EM IMAGENS
As imagens brutas produzidas, seja por sensores remotos, aerotransportados ou orbitais, possuem erros e distorções sistemáticos que são introduzidos no momento da aquisição, e são geralmente relacionados com diversos fatores, entre eles: rotação e curvatura da Terra; movimento do espelho durante o imageamento; variação da altitude, posição e velocidade da plataforma; distorções panorâmicas; e distorções devido ao relevo topográfico. Tais erros podem ser corrigidos, eliminados ou reduzidos, aplicando-se modelos matemáticos de correção geométrica, assunto que será apresentado posteriormente.
O movimento de rotação da Terra durante o imageamento causa o efeito conhecido como skew, que nada mais é que o deslocamento apresentado entre as varreduras sucessivas.
As distorções panorâmicas ocorrem devido ao IFOV (Instantaneous Field of View) do sensor ter um ângulo fixo e cobrir diferentes dimensões do terreno, dependendo da sua inclinação. Nas visadas off-nadir, neste caso, o pixel que representa as extremidades do imageamento, passa a representar uma área maior no terreno. (RICHARDS, 1999; TOUTIN, 2004).
O efeito da curvatura da Terra causa o mesmo efeito da distorção panorâmica, afetando de forma similar o tamanho do pixel. Este efeito é mais significativo para aqueles sensores que possuem largos campos de visada. (TOUTIN, 2004).

5. CONCLUSÃO
Através dessa pesquisa, destacamos a importância direta e indireta do desenvolvimento da tecnologia espacial. Por meio dos exemplos de aplicação, mostramos o grande potencial das imagens de satélite no estudo e monitoramento dos ambientes terrestres. Áreas que antes eram reconhecidas por satélites de maneira limitada em época de chuva, agora são captadas mais precisamente pelo ALOS, a cobertura de nuvens não restringe seu trabalho de monitoramento, o que ajuda no imageamento e nas previsões.
As informações obtidas dessas imagens dão subsídios aos órgãos de planejamento no uso sustentável dos ambientes urbanos e rurais. Além disso, a crescente disponibilidade gratuita desses dados na internet facilita seu uso nas escolas e pela própria sociedade, contribuindo para a conscientização de problemas da realidade local e regional e no exercício da cidadania.

6. REFERÊNCIAS

FLORENZANO, T. G. Iniciação em sensoriamento remoto. 2ª edição de imagens de satélite para estudos ambientais. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. (Acesso em: 20.11.14).

JAXA – Japan Aerospace Exploration Agency. 2009. ALOS. Disponível em:
<http://www.jaxa.jp/projects/sat/alos/index_e.html>. Acesso em: 20 nov. 2014.

Panoramaesapacial.blogspot.com.br/2013¹08/imagens-de-satelite-janpones-para-o-deter.html. (Acesso em: 19.11.14). 

Satélite alos-pt. Disponível em: <http://www.globalgeo.com.br> Acesso em 19 de nov. 2014.

RICHARDS, J. A. Remote Sensing Digital Image Analysis – An introduction. The
Australian National University, 185p. Australia, 1999. 

TOUTIN, T. Review article: Geometric Processing of Remote Sensing images: models, algorithms and methods. International Journal of Remote Sensing, 2004.

ftp://geoftp.ibge.gov.br/documentos/cartografia/relatorioavnirfinal.pdf (Acesso em: 17.11.14)